terça-feira, 10 de abril de 2018

Eu, dona Marlene e a realidade nossa de cada dia...


Depois de um longo dia de trabalho, chego à minha casa. A cabeça a mil, pensando em tudo que ainda tenho que fazer... E, de repente, avisto uma senhora - que nunca vi na vida - na porta da minha sala, do lado de dentro.


O coração dispara, a perna treme. Apresso o passo. E antes que eu fale qualquer coisa, me esboça um sorriso e abre a porta: "Pode entrar!". Passo o olho pela sala imediatamente: Filipe no celular, Nanda e Duda brincando na frente do rack. Um misto de alívio e preocupação. Quando olho pra tal senhora, que parece me conhecer, pergunto: "O que está acontecendo?". Ela estica os lábios e me diz: Não se preocupe! A casa está arrumada; e o jantar, pronto. Você pode subir e tomar banho. As meninas já fizeram o lanchinho e o Filipe disse que come depois". 

Tô pasma. Olho em volta de novo e constato que é a minha casa, são os meus filhos e as crianças brincam com a senhora desconhecida como velhas amigas.

Subo as escadas desconfiada. E está tudo arrumado. Chamo Filipe. "Meu filho, quem é essa senhora? Foi a sua avó que a mandou aqui?", indago. Filipe ri do meu espanto e fala pra eu aproveitar. Penso: "se tivesse algo errado ele me diria, com certeza!". Vou pro banho. Ah, um banho demorado (sou eu que pago luz e água mesmo, mereço). Lavo até a cabeça, ousadamente. Mas não demoro tanto, porque lembro que sou eu quem paga as contas rs

Coloco uma roupa de casa com cara de arrumada (vocês têm também que eu sei!). Desço leve, mas ressabiada. Da ponta da escada, vejo a mesa da cozinha posta: carne assada, batata, arroz, salada, feijão. Tudo tão bem arrumadinho, com pratos combinando...

Me sirvo com calma. Como devagar e sabendo o que estou engolindo, que maravilha! Saboreio cada garfada. Estranho o silêncio, mas a tal senhora, dona Marlene, diz que as crianças estão vendo desenho e que Filipe continua no celular. "comigo não tem esse silêncio", penso.

Estou na última garfada, quando sinto algo bater na minha cabeça. E de novo, e de novo! "Acoda, mamãe, acoooooda!". Tomo um susto e procuro pelo prato, mas só há brinquedos e uma barulheira danada. Olho rápido em volta: dormi sentada no sofá, talvez por 10 ou 15 minutos. Não tem janta pronta, nem tomei banho ainda e preciso arrumar a casa! Meu Deus, eu SONHEI! Sonhei por 10 ou 15 minutos... Mas que sonho real... Ainda sinto o gosto da carne assada com batatas na boca e procuro pela dona Marlene, naquela vontade de ser tudo verdade...

Levanto do sofá, me arrasto pra cozinha, respiro fundo e digo pra mim mesma: acorda, NaPaula!





Não olhe para os apedrejadores...

Quando Estêvão começou a ser apedrejado, ele não olhou para Saulo, que havia autorizado o castigo. Ele também não procurou saber quem eram os que atiravam as pedras. Estêvão olhou para o céu; e de maneira maravilhosa, em meio às pedradas, viu Jesus de pé, ao lado do trono. A Bíblia, normalmente, faz referências ao Senhor sentado no trono, mas, naquele dia, Estêvão viu algo extraordinário!

Que hoje, mesmo diante de alguma injustiça severa, você consiga olhar para o alto e ver o Senhor de pé, estendendo as Suas mãos para dar a você o livramento de que tanto precisa!

Esqueça as pedras, esqueça os apedrejadores! A vitória vem quando você foca nAquele que TUDO pode! #respira #NaFéDeEstêvão #vaiComFé #paraoAltoEAvante


domingo, 8 de abril de 2018

Uma nova idade, "velhos" agradecimentos...

Eu nasci de uma cearense de quase 1,60m. Pequena na estatura, mas enorme em força, garra, coragem. Feita de lágrimas e esperanças, minha mãe forjou o que há de melhor em mim.

Minha resistência vem dela, que viu a família ser separada por conta de uma grande seca no interior do Ceará. Dos 19 irmãos, ela só conheceu 3 irmãs. Todas as meninas foram dadas para famílias ricas da capital cearense. Ela não se lembra de quantas eram. O pai decidiu ficar apenas com os homens, que ajudariam na lavoura. Ela viu minha avó ir embora de casa antes das filhas serem "leiloadas"...

Minha fé vem dela, que de maneira sobrenatural ficou curada de um câncer de colo de útero em 1985. Minha mãe venceu uma sentença de morte pela fé, a mesma que carrego e uso todos os dias diante dos desafios que a vida me impõe.

Meu compromisso com a verdade vem dela, que me ensinou a ter apenas uma palavra e a zelar pelo meu nome. Por isso, hoje, saber que as pessoas dizem que sou "chata" com meu trabalho ou que, apesar dessa chatice, elas sempre me procuram para saber como faz certa coisa ou como se diz/escreve, é um baita orgulho pra mim. JAMAIS meu sobrenome será "Ana Paula, a enrolada" ou "a que não cumpre prazo" ou "a que não é confiável".

Minha valentia vem dela, e não confunda isso com arrogância! Minha mãe desistiu da (minha) morte já dentro de uma sala de aborto. Me criou SOZINHA com as possibilidades que tinha, com os recursos que tinha, com o amor que tinha. Enfrentou o mundo com medo, mas ninguém percebeu. E os seus rugidos de leoa ecoam na minha voz para proteger meus filhos. Eles são a medalha que carregou no peito, e, por causa deles, muitas vezes, já engoli sapos de pernas abertas no almoço sorrindo e acenando.

Por isso que, no dia da minha formatura, eu fiz questão de marcar com os olhos onde ela estava. Quando o meu nome foi chamado, e eu segurei meu canudo nas mãos, eu olhei pra ela (mesmo não enxergando nada) e gritei: nós conseguimos! Eu era a primeira da família a ter curso superior! Aquela que haviam dito que não seria nada na vida, ou seria uma drogada ou uma prostituta levantava não só um diploma, mas um certificado de que é possível ir além, é possível não ser o que as palavras dos outros dizem...

Hoje, 43 anos depois daquele 25 de fevereiro de 1975, eu abro os olhos e agradeço a Deus por mais um dia, por mais um ano. Agradeço também à minha mãe. Eu sei que não deve ter sido fácil aceitar ir para aquele matadouro, assim como não deve ter sido fácil decidir sair de lá comigo dentro dela. Não deve ter sido fácil ter que me deixar no orfanato também. Não deve. Não foi. Tanto que ela lutou até que pudéssemos estar juntas de novo. Obrigada, mãe! Continuo aqui! Valeu a pena, viu?!?

Mais um 25 de fevereiro... O mundo deu sua volta natural... Tanta coisa mudou, outras tantas continuam iguais! Tenho saúde, graças a Deus, trabalho, cuido dos meus filhos e sigo em frente. Voltei a ter sonhos, quero estudar novamente e ~ quem sabe ~ esbarrar com aquele que também procura por mim. É melhor ser alegre que ser triste, né non?

Enfim...

Hoje é dia de comemorar a vida, e ela me chama lá fora! Você vem comigo?

Bjs Napaulísticos!




Obs.: texto escrito no dia 25/02 deste ano, mas, por pura falta de tempo, não tive como postar antes., desculpem...

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

O inevitável e o imperfeito de cada um de nós...

Quando você descobre que está grávida, milhões de sensações tomam a sua mente. E, muito mais importante do que "menina ou menino?", o que a gente quer sempre é que o bebê seja saudável e perfeito. Nenhuma mãe e nenhum pai pensa ou sonha diferente disso.

Só que há fatores sempre acima do nosso parco controle e 'voilá': aquele pai e aquela mãe, que já haviam preparado mentalmente toda a vida do filho, precisam se ajustar a algo "diferente" no rebento. Passado o choque inicial de descobrir que o filho não é "perfeito" (quem é, né?), o futuro é o que mais preocupa: como será? E a gente vai descobrindo que o presente é o mais importante e é nele que a gente vive. Não podemos adiantar 1 min do tempo, então o jeito é viver o hoje mesmo...

Como eu contei aqui há alguns posts, Nanda e Duda foram, inicialmente, diagnosticadas com autismo. A "profissional", seca como uma árvore no deserto, não teve tato pra me falar do assunto. Desmoronei por dentro, mas, depois de muita lágrima e culpa - porque culpa é quase um sobrenome nas mães, apesar de não termos culpa de nada-, arregacei as mangas, lavei o rosto, prendi o cabelo e me levantei pra conhecer o inimigo. Não era o monstro todo que eu pensava, talvez um pequeno monstrinho, escondido atrás do armário, esperando um momento para me dar um "buuu". 

Essa semana, elas foram liberadas pela psicóloga: não têm a tríade do transtorno, mas há uma "pincelada" que precisa ser cuidada cotidianamente, para que a linha limite esteja sempre muito à frente delas. Agora é aumentar as visitas à fono. O neuro "acha" que em 2 anos a fala delas esteja dentro do que se espera para a idade que têm. 

E a mãe? A mãe segue firme, tanto quanto pode. Há dias fáceis e há os de hoje, porque cada dia é único. E ela lembra que basta a cada dia seu próprio mal, não devemos levar o mal do dia anterior para o novo. Mas, às vezes, ela esquece e chora dores velhas... Mas ela sabe que vai passar... Tudo passa... Até o dia de hoje passará...


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Não se firme em palavras soltas...

Vagabunda, drogada, prostituta. Palavras fortes, mas foram essas que lançaram sobre mim um dia. "Não vai ser nada na vida". É duro ouvir isso de quem deveria procurar zelar pelo seu emocional, ou que, mesmo não estando perto, deveria querer o seu bem. 

Os caminhos de dificuldade que trilhei, TODOS, forjaram a mulher que eu sou hoje. Tudo aquilo que vivi, e talvez você jamais entenda, fomentaram os pensamentos e valores que hoje tenho.

Nunca me droguei, sequer vinho eu já experimentei nessa vida! Nunca me prostituí e trabalho desde os 22 anos, logo após minha formatura. 

O ambiente que você vive não precisa ser o seu, entende? Use tudo isso que magoa você pra te impulsionar pra frente! Se você cresceu em um lar sem amor, quando tiver sua família, ame-a com todas as forças! Se você não recebeu palavras de encorajamento, olhe-se no espelho e diga, todos os dias: você pode! 

Mostre que eles estão errados, não porque você precise provar algo, mas porque você pode! Vai doer essa caminhada? Vai! Vai ter riso e vai ter lágrimas. Mas, no final, você vai sentir um orgulho danado de ser o que é!


Vai pra cima! Procura os meios, faça caminhos: você será sempre seu maior orgulho!!!


terça-feira, 12 de setembro de 2017

O dia que a morte sentou-se ao meu lado...

Eu não me lembro qual dia da semana era, nem exatamente em que data foi, mas me lembro bem do ano: 2013. Eu estava vivendo um momento terrível, talvez o pior de tudo que vivi e que me lembre de ter vivido até aqui. Estava há dias sem dormir direito, ia para o trabalho no automático, chorava o dia inteiro e só queria dar um jeito de não sentir mais aquela dor terrível que me consumia minuto a minuto. E não: não estou exagerando, não estou poetizando, não estou floreando o pavão. O que conto aqui e relato abaixo é absolutamente verdadeiro e sincero.

Apesar de ter várias pessoas ao meu lado naquele momento, eu me sentia absurdamente só. Por mais palavras de ânimo que eu ouvisse, havia um vazio no meu coração e na minha mente que me paralisava. A sensação que eu tinha era de estar presa em algum lugar pequeno e assistindo, em looping infinito, à mesma cena. Eu só queria que aquilo parasse...

Não era falta de Deus: sempre fui ativa em minha fé. Não era falta de ‘serviço’ em casa: toda organização dela dependia de mim. Não era por falta de ter uma “responsabilidade”: eu tinha um filho de 11 anos (à época) pra criar e um trabalho que amava. Nada disso, porém, me impediu de me afundar dentro de mim, e a dor foi ficando in-su-por-tá-vel... Até que numa daquelas noites terríveis de insônia angustiante, entre soluços e muitas lágrimas, me lembrei da caixa de remédios... Meu filho dormia no quarto ao lado sem saber de nada. Abri meu guarda-roupa, peguei a caixa que ficava na parte de cima e coloquei na cama. IMEDIATAMENTE, como Deus existe e isso aqui não é brincadeira e nem piada, ouvi uma voz mansa me dizendo: “Toma, vai passar. Vai passar, toma...!”. Eu quis sentir aquela paz que a voz me passava. Não pensei duas vezes: juntei todos os comprimidos na mão, abri os vidros e... PAH! Um enorme clarão tomou conta da minha mente (isso tudo foi rápido demais, questão de segundos). Me vi caindo na cama, alguns remédios indo ao chão (eu os via pulando no piso) e vi meu filho entrando no meu quarto, me sacudindo, me gritando, olhando de um lado pro outro e se vendo sozinho, aos prantos... Aquele clarão se foi tão rápido como surgiu, como cena de filme... E eu estava exatamente no mesmo lugar, com os comprimidos na mão e os vidros de remédio abertos entre as minhas pernas... Eu me joguei no chão e chorei muito. Entendi o ‘recado’ que havia recebido e chorei muito, muito mesmo. Pedi perdão a Deus por tentar dar cabo da minha vida. Fui até o quarto do meu filho, dei um beijo nele e pedi perdão a ele também, em silêncio. Voltei para o meu quarto e joguei todos os remédios fora. Sentei-me no chão e chorei mais um monte. De onde eu estava, via o céu pela janela. Dali mesmo, comecei a falar com Deus sobre tudo (ok, Ele já sabia, Ele me via, mas eu precisava falar). Falei o quanto estava sendo difícil passar por tudo aquilo, da minha dor, da deslealdade sofrida, da minha raiva, da minha sensação de impotência em relação a tudo que estava acontecendo, daquela minha monstruosa sensação de solidão e chorei mais uma vez.

Quando terminei aquele desabafo com Deus em meu quarto, senti uma paz que não consigo descrever. Me senti calma como não experimentava há muito tempo, e senti, no coração, e não mais de maneira audível, o seguinte: “Eu nunca deixei de estar aqui. Eu estou do seu lado todos os dias. Eu vi todas as suas lágrimas... Não está sendo fácil, não vai ser fácil, mas não será impossível essa caminhada. Lá na frente, você vai entender...”

Por mais que muitas pessoas me dissessem isso, e não foram poucas, AQUELA resposta foi direto ao meu coração. Realmente, não foram dias fáceis. Eu precisei enfrentar a mim mesma todos os dias. Eu precisei não me deixar sucumbir pelos dias maus – e não foram poucos. Logo após tudo isso, eu descobri que estava grávida, de gêmeos. Precisei me manter sã por conta daquelas vidas, por conta da minha vida, do meu filho que também dependia de mim. Repito: não foram dias fáceis. Não foram. Além dos hormônios da gravidez, eu precisei saber lidar com os maus pensamentos, com aquela sensação de ter alguém à espreita esperando pela minha fraqueza para poder aparecer novamente. Eu não fui forte por ser forte. Eu fui forte porque PRECISEI ser.

Nas minhas postagens daquela época, eu colocava as hastags #umdiadecadavez #cadavezumdia para me lembrar que iria passar. E passou. Eu chorei durante 1 ano. In-tei-ro. Todos os dias, absolutamente todos, você entende o que isso significa? Mas passou. Sempre passa. Demora, mas passa.

Por que você está contando isso, poderia guardar isso pra você”. Realmente, poderia. Mas eu, que sempre amei a vida e amava viver, decidi morrer. E a morte foi me buscar, de tanto que pensava nela, naquele dia, naquele quarto, naquela noite. E por uma faísca de misericórdia, talvez pela força de tanta gente que orava por mim e eu nem sabia, talvez porque realmente não era a minha hora (e eu acho que nunca é quando você decide morrer), talvez porque eu precisasse viver isso pra poder ajudar outras pessoas, cá estou falando sobre isso. Eu poderia não contar mesmo e ficar com essa experiência só pra mim, mas quero poder ajudar alguém com esse relato. Se esse texto alcançar uma pessoa, puxa, eu vou entender que houve um propósito naquilo tudo que era além da minha pequena compreensão à época.

Se você está passando por um momento de dor absurda, se não sente vontade de fazer nada, nem as coisas de que tanto gostava, se você não queria nem acordar mais hoje, por favor, leia até o final. Não execute esse plano. Há inúmeras pessoas que se preocupam com você de verdade. Você fará uma falta tremenda pra elas. Não é o fim, posso te dizer. Não é a sua hora! Você vai achar uma solução para isso que parece ser um problema gigantesco. Essa voz de paz que te chama para um pseudo-descanso só trará mais tormento, ME OUÇA. Não sei se você tem fé. Me faltou também algumas vezes, confesso. Mas Aquele que tudo pode jamais te abandonou. Não desista dEle: só estique sua mão. Se puder, procure ajuda especializada. Psicólogo não é para “maluco”: é só para quem é muito esperto e vê que um apoio específico pode (e vai) ajudar a ter uma visão mais ampla desse horizonte tão nebuloso. Quero te ver bem. Força! E me dê notícias.


Bjs napaulísticos


quinta-feira, 27 de julho de 2017

Os filhos, a mãe e a creche...

Quando minha mãe me visitava no orfanato, a pior hora, segundo ela, era a da despedida. Tocado o sino, os responsáveis tinham que sair por aquele enorme portão preto, sem olhar pra trás...

Ela conta que ouvia meus gritos e meu choro mesmo quando já estava muito longe daquele lugar. Ecoavam...

O mesmo eco que está agora nos meus ouvidos, quando deixei Nanda e Duda na escola, após a sessão com a fono e a psicóloga.

Dói, dói bastante. Acho que dói mais que a culpa que a gente sente em não poder entrar, ficar e acalmá-las até que o choro cesse. Eu sei que elas não vão se lembrar de nada disso, eu sei... Mas dói. Toda terça dói...

#NaPaulaSeSentindoCulpadaEChorosa #BenditosHormônios