sexta-feira, 15 de setembro de 2017

O inevitável e o imperfeito de cada um de nós...

Quando você descobre que está grávida, milhões de sensações tomam a sua mente. E, muito mais importante do que "menina ou menino?", o que a gente quer sempre é que o bebê seja saudável e perfeito. Nenhuma mãe e nenhum pai pensa ou sonha diferente disso.

Só que há fatores sempre acima do nosso parco controle e 'voilá': aquele pai e aquela mãe, que já haviam preparado mentalmente toda a vida do filho, precisam se ajustar a algo "diferente" no rebento. Passado o choque inicial de descobrir que o filho não é "perfeito" (quem é, né?), o futuro é o que mais preocupa: como será? E a gente vai descobrindo que o presente é o mais importante e é nele que a gente vive. Não podemos adiantar 1 min do tempo, então o jeito é viver o hoje mesmo...

Como eu contei aqui há alguns posts, Nanda e Duda foram, inicialmente, diagnosticadas com autismo. A "profissional", seca como uma árvore no deserto, não teve tato pra me falar do assunto. Desmoronei por dentro, mas, depois de muita lágrima e culpa - porque culpa é quase um sobrenome nas mães, apesar de não termos culpa de nada-, arregacei as mangas, lavei o rosto, prendi o cabelo e me levantei pra conhecer o inimigo. Não era o monstro todo que eu pensava, talvez um pequeno monstrinho, escondido atrás do armário, esperando um momento para me dar um "buuu". 

Essa semana, elas foram liberadas pela psicóloga: não têm a tríade do transtorno, mas há uma "pincelada" que precisa ser cuidada cotidianamente, para que a linha limite esteja sempre muito à frente delas. Agora é aumentar as visitas à fono. O neuro "acha" que em 2 anos a fala delas esteja dentro do que se espera para a idade que têm. 

E a mãe? A mãe segue firme, tanto quanto pode. Há dias fáceis e há os de hoje, porque cada dia é único. E ela lembra que basta a cada dia seu próprio mal, não devemos levar o mal do dia anterior para o novo. Mas, às vezes, ela esquece e chora dores velhas... Mas ela sabe que vai passar... Tudo passa... Até o dia de hoje passará...


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Não se firme em palavras soltas...

Vagabunda, drogada, prostituta. Palavras fortes, mas foram essas que lançaram sobre mim um dia. "Não vai ser nada na vida". É duro ouvir isso de quem deveria procurar zelar pelo seu emocional, ou que, mesmo não estando perto, deveria querer o seu bem. 

Os caminhos de dificuldade que trilhei, TODOS, forjaram a mulher que eu sou hoje. Tudo aquilo que vivi, e talvez você jamais entenda, fomentaram os pensamentos e valores que hoje tenho.

Nunca me droguei, sequer vinho eu já experimentei nessa vida! Nunca me prostituí e trabalho desde os 22 anos, logo após minha formatura. 

O ambiente que você vive não precisa ser o seu, entende? Use tudo isso que magoa você pra te impulsionar pra frente! Se você cresceu em um lar sem amor, quando tiver sua família, ame-a com todas as forças! Se você não recebeu palavras de encorajamento, olhe-se no espelho e diga, todos os dias: você pode! 

Mostre que eles estão errados, não porque você precise provar algo, mas porque você pode! Vai doer essa caminhada? Vai! Vai ter riso e vai ter lágrimas. Mas, no final, você vai sentir um orgulho danado de ser o que é!


Vai pra cima! Procura os meios, faça caminhos: você será sempre seu maior orgulho!!!


terça-feira, 12 de setembro de 2017

O dia que a morte sentou-se ao meu lado...

Eu não me lembro qual dia da semana era, nem exatamente em que data foi, mas me lembro bem do ano: 2013. Eu estava vivendo um momento terrível, talvez o pior de tudo que vivi e que me lembre de ter vivido até aqui. Estava há dias sem dormir direito, ia para o trabalho no automático, chorava o dia inteiro e só queria dar um jeito de não sentir mais aquela dor terrível que me consumia minuto a minuto. E não: não estou exagerando, não estou poetizando, não estou floreando o pavão. O que conto aqui e relato abaixo é absolutamente verdadeiro e sincero.

Apesar de ter várias pessoas ao meu lado naquele momento, eu me sentia absurdamente só. Por mais palavras de ânimo que eu ouvisse, havia um vazio no meu coração e na minha mente que me paralisava. A sensação que eu tinha era de estar presa em algum lugar pequeno e assistindo, em looping infinito, à mesma cena. Eu só queria que aquilo parasse...

Não era falta de Deus: sempre fui ativa em minha fé. Não era falta de ‘serviço’ em casa: toda organização dela dependia de mim. Não era por falta de ter uma “responsabilidade”: eu tinha um filho de 11 anos (à época) pra criar e um trabalho que amava. Nada disso, porém, me impediu de me afundar dentro de mim, e a dor foi ficando in-su-por-tá-vel... Até que numa daquelas noites terríveis de insônia angustiante, entre soluços e muitas lágrimas, me lembrei da caixa de remédios... Meu filho dormia no quarto ao lado sem saber de nada. Abri meu guarda-roupa, peguei a caixa que ficava na parte de cima e coloquei na cama. IMEDIATAMENTE, como Deus existe e isso aqui não é brincadeira e nem piada, ouvi uma voz mansa me dizendo: “Toma, vai passar. Vai passar, toma...!”. Eu quis sentir aquela paz que a voz me passava. Não pensei duas vezes: juntei todos os comprimidos na mão, abri os vidros e... PAH! Um enorme clarão tomou conta da minha mente (isso tudo foi rápido demais, questão de segundos). Me vi caindo na cama, alguns remédios indo ao chão (eu os via pulando no piso) e vi meu filho entrando no meu quarto, me sacudindo, me gritando, olhando de um lado pro outro e se vendo sozinho, aos prantos... Aquele clarão se foi tão rápido como surgiu, como cena de filme... E eu estava exatamente no mesmo lugar, com os comprimidos na mão e os vidros de remédio abertos entre as minhas pernas... Eu me joguei no chão e chorei muito. Entendi o ‘recado’ que havia recebido e chorei muito, muito mesmo. Pedi perdão a Deus por tentar dar cabo da minha vida. Fui até o quarto do meu filho, dei um beijo nele e pedi perdão a ele também, em silêncio. Voltei para o meu quarto e joguei todos os remédios fora. Sentei-me no chão e chorei mais um monte. De onde eu estava, via o céu pela janela. Dali mesmo, comecei a falar com Deus sobre tudo (ok, Ele já sabia, Ele me via, mas eu precisava falar). Falei o quanto estava sendo difícil passar por tudo aquilo, da minha dor, da deslealdade sofrida, da minha raiva, da minha sensação de impotência em relação a tudo que estava acontecendo, daquela minha monstruosa sensação de solidão e chorei mais uma vez.

Quando terminei aquele desabafo com Deus em meu quarto, senti uma paz que não consigo descrever. Me senti calma como não experimentava há muito tempo, e senti, no coração, e não mais de maneira audível, o seguinte: “Eu nunca deixei de estar aqui. Eu estou do seu lado todos os dias. Eu vi todas as suas lágrimas... Não está sendo fácil, não vai ser fácil, mas não será impossível essa caminhada. Lá na frente, você vai entender...”

Por mais que muitas pessoas me dissessem isso, e não foram poucas, AQUELA resposta foi direto ao meu coração. Realmente, não foram dias fáceis. Eu precisei enfrentar a mim mesma todos os dias. Eu precisei não me deixar sucumbir pelos dias maus – e não foram poucos. Logo após tudo isso, eu descobri que estava grávida, de gêmeos. Precisei me manter sã por conta daquelas vidas, por conta da minha vida, do meu filho que também dependia de mim. Repito: não foram dias fáceis. Não foram. Além dos hormônios da gravidez, eu precisei saber lidar com os maus pensamentos, com aquela sensação de ter alguém à espreita esperando pela minha fraqueza para poder aparecer novamente. Eu não fui forte por ser forte. Eu fui forte porque PRECISEI ser.

Nas minhas postagens daquela época, eu colocava as hastags #umdiadecadavez #cadavezumdia para me lembrar que iria passar. E passou. Eu chorei durante 1 ano. In-tei-ro. Todos os dias, absolutamente todos, você entende o que isso significa? Mas passou. Sempre passa. Demora, mas passa.

Por que você está contando isso, poderia guardar isso pra você”. Realmente, poderia. Mas eu, que sempre amei a vida e amava viver, decidi morrer. E a morte foi me buscar, de tanto que pensava nela, naquele dia, naquele quarto, naquela noite. E por uma faísca de misericórdia, talvez pela força de tanta gente que orava por mim e eu nem sabia, talvez porque realmente não era a minha hora (e eu acho que nunca é quando você decide morrer), talvez porque eu precisasse viver isso pra poder ajudar outras pessoas, cá estou falando sobre isso. Eu poderia não contar mesmo e ficar com essa experiência só pra mim, mas quero poder ajudar alguém com esse relato. Se esse texto alcançar uma pessoa, puxa, eu vou entender que houve um propósito naquilo tudo que era além da minha pequena compreensão à época.

Se você está passando por um momento de dor absurda, se não sente vontade de fazer nada, nem as coisas de que tanto gostava, se você não queria nem acordar mais hoje, por favor, leia até o final. Não execute esse plano. Há inúmeras pessoas que se preocupam com você de verdade. Você fará uma falta tremenda pra elas. Não é o fim, posso te dizer. Não é a sua hora! Você vai achar uma solução para isso que parece ser um problema gigantesco. Essa voz de paz que te chama para um pseudo-descanso só trará mais tormento, ME OUÇA. Não sei se você tem fé. Me faltou também algumas vezes, confesso. Mas Aquele que tudo pode jamais te abandonou. Não desista dEle: só estique sua mão. Se puder, procure ajuda especializada. Psicólogo não é para “maluco”: é só para quem é muito esperto e vê que um apoio específico pode (e vai) ajudar a ter uma visão mais ampla desse horizonte tão nebuloso. Quero te ver bem. Força! E me dê notícias.


Bjs napaulísticos


quinta-feira, 27 de julho de 2017

Os filhos, a mãe e a creche...

Quando minha mãe me visitava no orfanato, a pior hora, segundo ela, era a da despedida. Tocado o sino, os responsáveis tinham que sair por aquele enorme portão preto, sem olhar pra trás...

Ela conta que ouvia meus gritos e meu choro mesmo quando já estava muito longe daquele lugar. Ecoavam...

O mesmo eco que está agora nos meus ouvidos, quando deixei Nanda e Duda na escola, após a sessão com a fono e a psicóloga.

Dói, dói bastante. Acho que dói mais que a culpa que a gente sente em não poder entrar, ficar e acalmá-las até que o choro cesse. Eu sei que elas não vão se lembrar de nada disso, eu sei... Mas dói. Toda terça dói...

#NaPaulaSeSentindoCulpadaEChorosa #BenditosHormônios


sexta-feira, 2 de junho de 2017

Um diagnóstico errado, uma mãe aflita, um final de paz...

No ano passado, Nanda e Duda tiveram um 'diagnóstico' de autismo, dado por uma 'profissional' que sequer fez testes ou exames nas minhas filhas. O atraso na fala foi suficiente para ela me dar a 'sentença'. Passei o pior Natal da vida, chorei horrores, porque a gente sempre acha que falhou, que não fez o que deveria ter feito em algum momento, mesmo sem saber em que momento foi e o que poderia ter feito para que as coisas fossem diferentes...

Decidi procurar outros profissionais, que me pediram uma bateria de exames. Neuro, psicóloga, fono... Aguentei sozinha a pressão dos meus medos. Quando me sentia pequena, diante do desconhecido, me lembrava de que a minha força não estava no meu braço, nem nas coisas que eu podia fazer. Havia Alguém que poderia fazer muito além. Minha oração era: Deus, me ajuda a passar por isso. Não me deixa esquecer que o Senhor é maior do que tudo, que o poder e a força estão nas Tuas mãos... Se for isso, continue sendo o meu sustento e renova a minha fé. Se não for isso, preciso saber o que é..."

Havia algo "errado" no desenvolvimento delas (fala), e isso estava prejudicando no aprendizado na escola, na convivência com os coleguinhas e no nosso cotidiano.

Graças a Deus, achei duas médicas maravilhosas, que me olharam com humanidade, entenderam as minhas lágrimas e minhas angústias de mãe. E só quem também é mãe entende outra de verdade...

Após 5 meses de tratamento e acompanhamento, de quase "zero frases" elas estão sabichonas e falantes. Estão tagarelando muito e já passamos de 60% de melhora na fala. O neuro deu dois anos para as coisas se acertarem. Elas têm uma imaturidade cerebral, que faz com que se comportem, na fala, como se tivessem 1 ano e meio. Nada que seja 'retardo' mental, apenas não houve o amadurecimento necessário (ainda).

Hoje (30/05), foi TOTALMENTE descartado qualquer traço de autismo. Mas o diagnóstico precipitado da 'profissional' me fez mergulhar nesse mundo azul e ver como as mães de crianças com essa característica são discriminadas. São julgadas. São massacradas emocionalmente até por outras mães e pessoas que acham que o comportamento da criança é birra ou falta de surra.

Nesse longo período em que estive nessa balança emocional, me propus a ter ainda mais empatia com outras mães. No shopping, quando via alguma criança com "comportamento diferente", minha vontade era ir lá e dizer à mãezinha: "Olha, eu te entendo. Você está fazendo um ótimo trabalho. Vai passar".

Quando recebi a notícia do (novo) diagnóstico das meninas, chorei. Aquela lagriminha furtiva, rápida. As duas profissionais que acompanham as meninas já me diziam que duvidavam dessa possibilidade, mas que iriam fazer as análises necessárias para dar o 'veredito' final.

Durante esse tempo, sorri como sempre. Mas chorei algumas vezes como nunca. Você não sabia, você não soube. Na verdade, ninguém sabe o que o outro passa por dentro de verdade. Não se esqueça de ser gentil sempre!

Aos (poucos) que sabiam da história, obrigada pelas orações. Vocês me mantiveram de pé!

Bjs da NaPaula




Minha nada mole vida de mãe...

Tava eu lá apagada, no meu décimo sono, quando acordo com os berros de Eduarda: "mamãaaaaaae, mamãaaaaaae, vem cáaaaaaa!".

Nos primeiros 2 segundos, achei que ela acordou e estranhou não estar na minha cama (transformei os berços em caminha, pra ver se elas se apaixonam tanto pela cama delas quanto são apaixonadas pela minha - a coluna da mãe agradece!), mas o segundo berro estava bem apavorado, ao que dei um pulo e já "caí" no quarto delas.

Mesmo com tudo apagado, enxerguei a cena: ela, sentada, vomitando pra tudo que é lado, nervosa ao quinteto. Respiro fundo, seguro a mão dela, digo que está tudo bem, que a mamãe vai ajudar. Espero pelo último "passar mal" e levo voando pro banheiro. Ligo o chuveiro, tiro a roupa dela e a deixo aproveitando a água quentinha. Enquanto isso, corro lá embaixo, pego Veja e pano e subo correndo pra limpar o quarto. Lençol e travesseiro vão lá pra escada, bem longe! Limpo cama, colchão e troco a roupa de cama.

Volto pro banheiro e ela está lá, meio sem saber o que aconteceu. "Mamãe, saiu pela boca". Sorrio e digo: "Foi, meu amor? Mas já passou..." Enrolo na toalha, levo pra minha cama, troco de roupa e pergunto, de novo, se está bem. "Tudo bem, mamãe".

- Mamãe, faz dederinha?
(- Nem pensar, penso. Mamadeira de leite com nescau depois dessa tragédia?)
- A mamãe vai trazer um pãozinho, pode ser?
- Pode ser...

Desço e pego um pãozinho Panco, sem nada. Ela come e já quase dorme. Vigio até pegar no sono. "Que horas são, meu Pai?!?" Olho no relógio: 1h50. "Ah, não vou lavar lençol essa hora, ainda mais no frio!" Jogo no tanque. "Quando elas saírem pra creche amanhã, resolvo!" São 2h30 agora. Ambas dormem a sono solto. E a mãe aqui não consegue "desligar". Amanhã, mais um capítulo da série The walking Paula.

Por favor, tenham mais paciência com as mães. Sempre. Enquanto vocês dormem, tem sempre uma no plantão da madrugada...

Bjs da NaPaula

Escrito em 31/05/2017






sexta-feira, 5 de maio de 2017

Uma música, uma saudade e um pedido...

Ouvi a nossa música mais uma vez hoje. Na verdade, deve ser a milésima nonagésima vez. Quando aperto o repeat na playlist, ela quase me olha, dizendo: “cansa, não?!?” Não, não canso. Nem da música, nem das lembranças que ela me traz. E ela me traz você todas as vezes, como cansar?

Ela me traz aquele seu sorriso franco, aquela gargalhada gostosa e barulhenta que eu adoro. Ela também me traz a tua presença e o teu perfume, aquele que me entorpece os sentidos e me coloca na boca um quê de quero mais.

Ouço-a repetidamente, enquanto faço carinhos imaginários em você de olhos fechados. Seus cabelos passam entre os meus dedos, sua textura fica no meu tato e eu quase te abraço de tanto bem-querer.

Ouço, ouço mesmo! Ouço a caminho do trabalho, com o volume mais alto que meus tímpanos aguentam. Ouço e cantarolo, expondo pros que me olham que você é a minha música preferida. Ouço e danço, ao som do nosso embalo frenético e recorrente. Ouço e balbucio seu nome: cada letra, cada som, cada fonema, cada tom, cada eu e você que ela permite formar.

Ah. vem cantar comigo a nossa música, vem! Vem errar o tom, errar na mão, acertar no passo, nesse compasso que a gente inventa bem. Vem! Vem, sem plateia, só nós, a sós, a dois, assim, em você, em mim. Vem!

Vem, que a nossa música está tocando mais uma vez e eu vou ser sua novamente pelas letras da canção.

Vem!

Ao som (e risos) de Medo bobo, Maiara e Maraisa